domingo, 26 de setembro de 2010

Querências...

(…)

não quero ser triste como o poeta que envelhece lendo mayakovski na loja de conveniência

não quero ser alegre como o cão que sai a passear com o seu dono alegre sob o sol de domingo

nem quero ser estanque como quem constrói estradas e não anda

quero no escuro como um cego tatear estrelas distraídas (…)

( Zeca Baleiro)


"... quero tudo e tanto, tanto.

quero seguir vivendo e sentindo desse jeito do avesso que me dá tanto prazer e que dói de vez em quando.

quero ir em frente com meus passos coloridos, fora do ritmo, tão meus. colher flores coloridas pelo caminho, abrir os braços para as garoas e as tempestades, dançar rodopiando as saias floridas e sujando os pés no barro úmido do sereno da noite.

quero abraçar e ser abraçada, quero beijar e ser beijada, quero acolher e ser acolhida,

quero a vida em boa companhia.

quero dizer o que penso, mesmo que não faça sentido.

quero rir do meu próprio ridículo, não ter medo de quebrar a cara, ver poesia nos pequenos detalhes onde ninguém mais vê a não ser a sem-gracice cotidiana.

quero ser o que sempre fui e todos os dias desejo continuar sendo, uma menina de cabelos bagunçados e sorriso fácil.

e quero ser mulher que acorda todos os dias olhando pra trás e saboreando o tempo que passa.

quero que o amanhã seja sempre tudo novo de novo, quero a dúvida e a pureza do que não se sabe.

quero presente, quero instante.

quero aceitar algumas coisas em mim, e mudar outras, quero a inteireza da vida à flor da pele."

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